Resposta direta

Nos funis que a Ganica analisa, o celular costuma converter menos por perder em um ponto do funil, não no site inteiro: acompanha o computador até o carrinho e quebra entre o início do checkout e o pedido. As hipóteses a testar primeiro são falha de medição e mecânica de pagamento. Por isso, abra o funil por etapa e dispositivo antes de redesenhar páginas.

Resumo rápido
  • A conversão geral por dispositivo soma várias etapas num número só e não mostra onde o celular perde.
  • Em análise da Ganica de um e-commerce brasileiro, o celular empatou ou venceu nas etapas iniciais, e a taxa de conclusão do checkout foi quase 3 vezes maior no desktop.
  • Quebra localizada enfraquece explicações gerais, como tráfego ruim ou site mobile confuso, mas não descarta preço e frete. A mecânica de pagamento segue como hipótese.
  • Segundo a TIC Domicílios 2025, 65% dos usuários de internet no Brasil acessam a rede só pelo celular. Na leitura da Ganica, isso enfraquece, sem eliminar, a ideia de que o cliente termina a compra no computador.
  • A primeira suspeita deve ser a medição: se o evento de compra depende da volta do cliente à loja, parte das vendas pode sumir do relatório.

Por que olhar só a conversão geral por dispositivo engana?

Na leitura da Ganica, a conversão geral por dispositivo engana porque soma várias decisões em um número só. Quando a conversão no checkout mobile parece baixa, a reação comum é concluir que a experiência no celular inteira está ruim. O número mostra que existe uma diferença, mas não diz em qual etapa ela nasce.

Saber a etapa define o tamanho do investimento. Um redesenho do site mobile mexe em páginas, navegação e componentes que talvez já funcionem bem. Se a perda estiver em um ponto só, o projeto gasta capacidade de tecnologia no lugar errado.

Médias de mercado também não resolvem. A Baymard calcula em cerca de 70% a média de abandono de carrinho em 50 estudos, na lista atualizada em setembro de 2025, mas a própria lista mostra variação ampla entre eles e não separa o número por dispositivo. Em outro estudo, a Ganica já tratou dos limites desses benchmarks genéricos.

O que muda quando o funil é aberto por etapa e dispositivo?

Abrir o funil por etapa pode inverter a leitura: o dispositivo que parecia pior em tudo pode estar empatado em quase tudo. Funil por dispositivo é a sequência de compra (produto, carrinho, checkout, pedido) dividida entre celular e computador, com a taxa calculada de uma etapa para a seguinte.

Em análise da Ganica de um e-commerce brasileiro, ao longo de alguns meses, o celular empatou ou superou o computador em adicionar ao carrinho e iniciar o checkout. Na mesma análise da Ganica, a taxa de conclusão do checkout até o pedido foi quase 3 vezes maior no computador.

Etapa do funil Celular em relação ao computador
Adicionar ao carrinho Empata ou supera
Iniciar o checkout Empata ou supera
Do checkout ao pedido Cerca de 1 em 5 contra 3 em 5

Análise da Ganica de um e-commerce brasileiro. Dados anonimizados e arredondados.

Na Ganica, quando analisamos funis segmentados por dispositivo, esse é um padrão que encontramos com frequência: o celular acompanha o computador na descoberta e no carrinho e perde na reta final da compra. Não é uma lei. É o motivo pelo qual a etapa precisa ser medida antes de qualquer projeto.

O celular não perde sempre no site inteiro. Muitas vezes, ele perde em uma etapa, e a média espalha essa perda por todas as outras.

O que uma quebra em uma etapa só permite descartar?

Na leitura da Ganica, uma quebra em uma etapa só enfraquece tráfego ruim e site mobile confuso como causas principais, mas não descarta preço, frete nem medição. Cada causa comum tende a deixar uma assinatura diferente no funil, e comparar essas assinaturas é o que transforma um número em diagnóstico.

Se a causa fosse O funil tenderia a mostrar
Tráfego ruim ou público errado Perda já no produto e no carrinho
Site mobile lento ou confuso Perda espalhada por várias etapas
Preço ou frete Perda no checkout, maior nos públicos com orçamento mais apertado
Mecânica de pagamento no celular Perda concentrada entre o checkout e o pedido
Falha de medição da compra Perda concentrada na última etapa

Leitura da Ganica. São tendências, não regras: a tabela orienta a investigação e não prova causa.

A mecânica de pagamento e a falha de medição têm quase a mesma assinatura no funil, e aqui mora o erro mais caro. Muitos meios de pagamento no celular levam o cliente para o aplicativo do banco. Se o evento de compra depende do carregamento da página de confirmação, e o cliente não volta à loja, a venda acontece e o GA4 pode não registrar. A quebra pode estar no relatório, e não no checkout.

Há também uma ressalva sobre público. Celular e computador podem reunir pessoas de renda e intenção diferentes, e o mesmo frete não pesa igual para todas. Por isso, etapas iniciais empatadas sugerem intenção parecida, mas não provam, e preço e frete só perdem força se a distância persistir entre públicos parecidos.

Por que o pagamento pesa mais no celular brasileiro?

Na leitura da Ganica, o pagamento tende a pesar mais no celular porque concentra digitação, autenticação e troca de aplicativo em uma tela pequena. Segundo a TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, 65% dos usuários de internet no Brasil acessam a rede só pelo celular, e não pelo computador, e 34% usam os dois.

Para a Ganica, os 65% da TIC Domicílios enfraquecem a interpretação comum de que o cliente pesquisa no celular e termina no computador. A explicação cabe melhor nas classes em que o acesso pelos dois aparelhos é comum, e cabe pior onde só o celular é usado. A tabela C16A da TIC mede o aparelho de acesso, e não o aparelho da compra, portanto essa é uma leitura, não um achado da pesquisa.

Há um limite importante nessa leitura. Na mesma TIC Domicílios 2025, 52% dos usuários de internet compraram online em 12 meses, com 91% na classe A e 76% na classe B, justamente onde os dois aparelhos são mais comuns. Na leitura da Ganica, em marcas premium a troca de aparelho merece mais atenção do que a média nacional sugere.

Classe social Usuários que acessam só pelo celular (2025)
A 5%
B 35%
C 67%
DE 87%
Total 65%

Fonte: TIC Domicílios 2025, Cetic.br/NIC.br, tabela C16A. Universo: usuários de internet.

A pesquisa Panorama E-commerce, da Visa, com 1.521 entrevistas em dezembro de 2025, ajuda a dimensionar a pressão sobre essa etapa. Segundo o estudo da Visa, 79% dos que compraram online no último mês fizeram a última compra pelo celular, contra 12% no computador. Segundo o comunicado da Visa, entre os consumidores que desistiram de finalizar um pagamento, 58% abandonaram no momento do pagamento: 37% ao escolher o meio e 21% ao inserir ou confirmar dados. A pesquisa da Visa é declarada e vem de uma empresa de pagamentos, portanto serve como sinal, não como medida de abandono.

Três mecânicas são as hipóteses mais comuns para testar. Nenhuma delas descreve um caso específico:

Como montar o funil de conversão por dispositivo no GA4?

O caminho mais direto é a exploração de funil do GA4, com a categoria do dispositivo como detalhamento. A exploração de funil é a técnica do GA4 que mostra quantos usuários avançam por etapas definidas. A exploração de funil conta usuários: segundo a documentação do Google Analytics, cada usuário entra uma vez no período e só a primeira sequência é reportada.

  1. Crie a exploração. Em Explorar, escolha o modelo Exploração de funil.
  2. Defina as etapas por evento. Use view_item, add_to_cart, begin_checkout, add_payment_info e purchase. A ferramenta aceita até 10 etapas. Confira antes se todo meio de pagamento dispara add_payment_info, porque quem pula uma etapa cai do funil, e isso criaria uma quebra falsa.
  3. Adicione o detalhamento. Selecione Categoria do dispositivo como dimensão de detalhamento. A documentação avisa que o usuário é atribuído só à primeira ocorrência do valor que se aplica a ele.
  4. Comece com o funil fechado. No funil fechado, o usuário precisa entrar pela primeira etapa. No aberto, pode entrar em qualquer uma.
  5. Escolha um período sem campanha atípica. A janela precisa ter volume suficiente nos dois dispositivos para que a taxa não oscile por acaso.
  6. Calcule o índice por etapa. Divida a taxa do celular pela do computador, etapa por etapa. Índice perto de 1 indica empate. A etapa em que ele despenca é a que merece investigação.

Para uma primeira leitura, o GA4 tem o relatório de jornada de checkout (Checkout journey), na área de Monetização. Ele segue, em funil fechado, os eventos begin_checkout, add_shipping_info, add_payment_info e purchase, com a categoria do dispositivo como detalhamento padrão. Se não aparecer, editores e administradores podem incluí-lo pela Biblioteca.

O que fazer depois de achar a etapa que quebra?

Depois de achar a etapa, confira a medição primeiro e só então mexa no checkout. Esta é a ordem que a Ganica segue nos diagnósticos:

  1. Audite a compra. O DebugView do GA4 exige o modo de depuração ativo, por Tag Assistant, modo de visualização do Tag Manager ou parâmetro debug_mode. Com ele ligado e o consentimento aceito, faça pedidos de teste no celular, com cada meio de pagamento, voltando à loja e também sem voltar, e veja se purchase dispara.
  2. Cruze com os pedidos. Compare o transaction_id das compras do GA4 com os pedidos pagos da loja, sem os expirados. Como quem recusa cookies também pode faltar, compare falta e sobra entre meios de pagamento, e não o valor absoluto.
  3. Abra a etapa. Use as subetapas de envio e pagamento para saber se a perda vem antes ou depois de informar o pagamento.
  4. Separe por meio de pagamento. Quando a loja preenche o parâmetro opcional payment_type em add_payment_info, ele registra o meio escolhido. Para usá-lo em relatórios e explorações, crie uma dimensão personalizada de escopo de evento, que pode levar de 24 a 48 horas para aparecer.
  5. Compare públicos parecidos. Repita o funil com um segmento, como clientes recorrentes. Se a distância persistir, a explicação por perfil de público perde força.
  6. Observe pessoas pagando. Use gravações de sessão e compras reais em Android e iPhone, em rede móvel, para ver o que o funil não mostra.
  7. Corrija um ponto por vez. Reduza campos, ajuste o teclado de cada campo, deixe claro o retorno do aplicativo do banco e mostre a confirmação do pedido.
  8. Meça na etapa certa. Acompanhe o índice daquela etapa, e não a conversão geral, que mistura outros efeitos.

Quando a loja já separa seus públicos, vale repetir o corte por persona comportamental, porque o cliente recorrente e o visitante novo costumam travar de formas diferentes. Localizar a etapa, descartar a falha de medição e estimar o ganho em receita é o trabalho central de um diagnóstico de CRO.

O que ainda não sabemos

Um caso isolado ilustra um método e não mede o mercado. Os números acima vêm de um único e-commerce, arredondados, e mostram onde a perda aparece, não por que ela acontece. A frequência do padrão é observação de campo da Ganica, não uma contagem.

Faltam dados públicos brasileiros que separem a conversão por etapa e por dispositivo com método aberto. A tabela C16A da TIC Domicílios descreve o aparelho de acesso, não o aparelho da compra, e a pesquisa da Visa traz o que os consumidores declaram. O artigo da Baymard sobre teclado é de 2013.

O GA4 também tem limite próprio: ele identifica navegadores, não pessoas, e quem troca de aparelho sem login pode aparecer como dois usuários. Antes de decidir qualquer investimento, vale medir o funil da sua própria loja. É isso que um diagnóstico de CRO entrega.

Perguntas frequentes

Qual é uma boa taxa de conversão no checkout mobile?

Não existe um número de referência confiável para todas as lojas, porque categoria, ticket médio e público mudam demais a conta. Na Ganica, a comparação que usamos é interna: o celular contra o computador da própria loja, etapa por etapa. Ela não isola diferenças de público, mas mostra em qual etapa a distância aparece.

A exploração de funil do GA4 conta usuários ou sessões?

Usuários. Segundo a documentação do Google Analytics, cada usuário entra no funil uma vez no período analisado, e só a primeira sequência de etapas é reportada. Na leitura da Ganica, por isso é esperado que os números da exploração não batam com relatórios baseados em sessões.

Preciso redesenhar o site mobile para melhorar a conversão?

Não necessariamente. Na leitura da Ganica, se o celular acompanha o computador até o início do checkout, um redesenho geral ataca etapas que já funcionam. O primeiro passo é localizar a etapa que quebra, conferir a medição e só então decidir o tamanho da correção.

O cliente que começa no celular e compra no computador distorce o funil?

Pode distorcer. Sem login, o GA4 tende a enxergar dois usuários: um que abandonou no celular e outro que comprou no computador. Segundo a TIC Domicílios 2025, usar os dois aparelhos é mais comum nas classes A e B, e por isso vale cruzar a leitura com pesquisa de pós-compra.

Fontes e metodologia: Análise de funil de um e-commerce brasileiro, com dados anonimizados e arredondados. A frequência do padrão descrito é observação de campo da Ganica, não uma contagem. TIC Domicílios 2025, Cetic.br/NIC.br, tabelas C16A e H2, usuários de internet. Panorama E-commerce, Visa do Brasil, conduzido pela On The Go, 1.521 entrevistas online com consumidores digitalizados acima de 18 anos, de 18 a 26 de dezembro de 2025, margem de erro de 2,5 pontos percentuais, conforme o estudo e o comunicado da Visa de fevereiro de 2026. Baymard Institute: lista de taxas de abandono de carrinho (50 estudos de 2006 a 2025, atualizada em setembro de 2025), benchmark de UX mobile (atualizado em julho de 2026) e artigo sobre checkout mobile (2013). Central de Ajuda do Google Analytics: Funnel exploration, Checkout journey report, Create event-scoped custom dimensions e Monitor events in DebugView, e referência de eventos recomendados do Google for Developers, consultadas em novembro de 2026.